Planejar uma gravidez costuma trazer expectativas e muitas perguntas. Entre conselhos, relatos e informações nas redes sociais, nem sempre é fácil distinguir o que ajuda do que pode gerar ansiedade desnecessária.
Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada seis pessoas adultas enfrenta infertilidade em algum momento da vida. Informação confiável e acompanhamento individualizado ajudam a orientar os próximos passos, sem transformar exames em promessas de gravidez.
1. “A fertilidade é uma questão apenas feminina”
Mito. A investigação também precisa considerar a saúde reprodutiva masculina. Quando há participação de um parceiro que fornece espermatozoides, sua avaliação deve fazer parte do cuidado, evitando atribuir toda a responsabilidade à mulher.
O histórico clínico e reprodutivo e o espermograma podem integrar essa investigação. O exame avalia características do sêmen, mas seu resultado precisa ser interpretado no contexto clínico. Uma alteração isolada não deve ser tomada como uma conclusão definitiva. Referência: diretriz AUA/ASRM sobre infertilidade masculina.
2. “Se eu me sinto bem, não preciso me preparar para engravidar”
Mito. Uma consulta antes da gestação permite revisar doenças preexistentes, medicamentos, vacinação e hábitos. O objetivo é reconhecer necessidades e planejar cuidados, mesmo quando não há sintomas.
O ácido fólico merece atenção antes da concepção, porque participa da prevenção de defeitos do tubo neural, formado no início da gestação. O CDC recomenda 400 microgramas por dia para quem pode engravidar, começando pelo menos um mês antes. Algumas situações exigem uma orientação diferente: converse com o profissional que acompanha você sobre a suplementação adequada. Referência: planejamento da gravidez, CDC.
3. “Ciclos regulares garantem que não há nenhum problema de fertilidade”
Mito. Ciclos regulares entre 21 e 35 dias geralmente sugerem ovulação; em muitos casos, não é necessário confirmá-la com exames adicionais. Ainda assim, isso não avalia todos os fatores envolvidos na gravidez, como as trompas e o sêmen. Referência: avaliação da fertilidade, ASRM.
4. “O AMH revela exatamente minha chance de engravidar”
Mito. O hormônio antimülleriano, ou AMH, é um marcador da reserva ovariana. Ele pode ajudar a estimar a resposta dos ovários à estimulação em tratamentos de reprodução assistida, mas não mede diretamente a qualidade dos óvulos nem prevê, sozinho, a chance de gravidez espontânea.
Um resultado baixo não equivale automaticamente à impossibilidade de engravidar; um resultado alto também não oferece garantia. Idade, histórico e outros achados precisam ser considerados. Referência: limites do uso do AMH, ACOG.
5. “Toda mulher deve dosar AMH para planejar o futuro”
Mito. O AMH não deve ser usado como um “teste geral de fertilidade” em pessoas sem diagnóstico de infertilidade. Na discussão sobre congelamento de óvulos, planos reprodutivos e idade têm papel central; os exames podem complementar uma avaliação especializada, sem determinar isoladamente a decisão. Referência: avaliação da reserva ovariana, ASRM.
6. “Usar testosterona pode melhorar a fertilidade masculina”
Mito. Embora a testosterona produzida nos testículos participe da formação dos espermatozoides, seu uso como medicamento pode reduzir essa produção e prejudicar a fertilidade. Quem pretende ter filhos deve conversar com o médico antes de iniciar ou modificar qualquer tratamento hormonal. Não use testosterona ou anabolizantes por conta própria. Referência: testosterona e infertilidade masculina, ASRM.
7. “A dificuldade de ereção diz respeito apenas à vida sexual”
Mito. A disfunção erétil pode estar relacionada a fatores físicos, emocionais, medicamentos e outras condições de saúde. Quando persiste, merece avaliação, sem constrangimento ou autodiagnóstico. Ela não significa necessariamente infertilidade, mas pode interferir nas tentativas de gravidez. Referência: causas da disfunção erétil, NIDDK.
8. “ISTs sem sintomas não afetam a saúde reprodutiva”
Mito. Algumas infecções podem passar despercebidas. A clamídia, por exemplo, pode causar doença inflamatória pélvica quando não tratada, com risco de danos às trompas e infertilidade. A indicação dos testes depende do histórico e dos fatores de risco; diagnóstico e tratamento oportunos ajudam a prevenir complicações. Referência: clamídia, CDC.
9. “A progesterona só tem importância depois da gravidez”
Mito. Quando indicada, sua dosagem pode fornecer evidência de ovulação recente. Em geral, a coleta ocorre cerca de uma semana antes da menstruação esperada, e não obrigatoriamente no dia 21. Um resultado isolado não mede a qualidade da fase lútea nem garante fertilidade. Referência: progesterona na investigação da ovulação, ASRM.
Quando procurar uma avaliação?
Em geral, recomenda-se investigar após 12 meses de tentativas sem contracepção quando a mulher tem menos de 35 anos, ou após seis meses a partir dos 35. Acima de 40 anos, pode ser indicado avaliar mais cedo. Ciclos irregulares, suspeita de endometriose ou outros fatores de risco justificam procurar orientação sem esperar esses prazos. Referência: quando iniciar a investigação, ASRM.
Não existe um exame único capaz de resumir a fertilidade. Uma conversa com o profissional de saúde ajuda a escolher o que investigar e a interpretar cada resultado com cuidado.
Para informações sobre exames, preparo e atendimento, fale com o Grupo Central de Exames.
Conteúdo informativo. A indicação de exames e a interpretação dos resultados devem ser individualizadas por um profissional de saúde.
